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Relógios inteligentes que afirmam medir a glicemia sem agulhas estão novamente sob escrutínio, desta vez da Agência Federal de Redes da Alemanha. Em seu mais recente relatório de fiscalização de mercado, o órgão regulador confirmou que diversos dispositivos vendidos em 2025 anunciavam o monitoramento da glicose no sangue, apesar de não possuírem capacidade técnica para medi-la, uma prática que, segundo as autoridades, representa riscos reais para os consumidores.
Segundo a agência, as inspeções realizadas ao longo do ano revelaram problemas em cerca de 7,7 milhões de produtos eletrônicos. Muitas das irregularidades eram de ordem processual, como a ausência da marcação CE ou documentação incompleta em alemão. Outras, no entanto, iam muito além da burocracia. Entre as descobertas mais preocupantes, estavam os relógios inteligentes que simulavam leituras de glicemia usando sensores não relacionados ou valores estimados, apresentando os resultados como dados de saúde genuínos.
Especialistas do setor são claros há anos: o monitoramento preciso da glicemia requer testes invasivos ou um monitor contínuo de glicose (MCG) externo. Nenhum smartwatch independente consegue fornecer leituras confiáveis por si só. Apesar disso, modelos de baixo custo, vendidos principalmente em marketplaces online, continuam a promover agressivamente esse recurso, muitas vezes visando pessoas com diabetes.
Em alguns casos, as consequências podem ser graves. Uma análise publicada anteriormente sobre o Kospet iHeal 6 mostrou que as chamadas leituras de glicose variavam bastante em relação às medições reais, por vezes o suficiente para influenciar as decisões sobre a medicação. Os órgãos reguladores alertam que confiar nesses dados pode levar os usuários a atrasar a administração de insulina, a corrigir em excesso a dosagem ou a ignorar completamente os sinais de alerta.
A dimensão do problema continua significativa. A agência identificou 1.266 anúncios online suspeitos de não conformidade. Embora esse número represente uma queda de 11,2% em comparação com o ano anterior, os produtos envolvidos ainda representam uma estimativa de cinco milhões de unidades vendidas. Os smartwatches foram os infratores mais comuns, não apenas por alegações falsas sobre saúde, mas também por violações da Lei de Equipamentos de Rádio da Alemanha.
Inspeções offline revelaram problemas semelhantes. Dos 2.400 modelos de dispositivos verificados no varejo, 58% não atendiam aos padrões regulatórios, afetando cerca de 1,9 milhão de unidades. A maioria dos problemas era administrativa, embora alguns produtos tenham apresentado emissão excessiva de interferência eletromagnética.
As autoridades alfandegárias também intensificaram a fiscalização, bloqueando 359.000 dispositivos não conformes na fronteira após examinarem mais de 8.200 remessas.
Para os órgãos reguladores, a mensagem é clara: as alegações de saúde devem ser comprovadas por tecnologia real. Para os consumidores, o alerta da Alemanha serve como um lembrete de que, se um smartwatch promete monitoramento de glicemia sem agulhas, o ceticismo não é apenas razoável, é necessário.