Produtos considerados sensíveis pelos europeus, como carnes bovina e de frango, contarão com cotas de exportação. O setor de carnes é um dos pontos de maior tensão: pecuaristas da França e da Polônia, líderes europeus na produção de carne bovina e de frango, temem perder mercado para países sul-americanos, especialmente o Brasil, maior exportador global desses produtos.
Atualmente, a carne bovina brasileira entra na UE por meio da cota Hilton, com 10 mil toneladas anuais de cortes nobres e taxa de 20%. Caso o tratado avance, essa taxa será eliminada. Outros cortes pagam 12,8% mais € 221,10 por 100 kg, mas uma nova cota conjunta de exportação de 99 mil toneladas anuais, com tarifa de 7,5%, será criada para o Mercosul.
Café, soja e a dinâmica das tarifas
No segmento do café, o solúvel pode se beneficiar. Hoje, o café em grão já entra na Europa sem tarifa, mas o solúvel paga 9% e o torrado e moído, 7,5%. O acordo prevê zerar essas tarifas em quatro anos.
Já para a soja, principal produto agrícola exportado para a União Europeia, não haverá mudanças, pois o grão e o farelo já contam com tarifa zero.
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Produtores brasileiros manifestaram preocupação com as salvaguardas europeias aprovadas em dezembro. Elas permitem suspender benefícios tarifários do acordo caso algum segmento do agro local seja prejudicado.
As salvaguardas não integram o texto do tratado, mas compõem regulamento interno da União Europeia. Caso as importações de um produto sensível aumentem 5% na média de três anos, poderá ocorrer a abertura de uma investigação para eventual suspensão dos benefícios. O tempo dessas apurações também caiu: de seis para três meses, ou de quatro para dois, em casos mais sensíveis.


















