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Acordo entre UE e Mercosul afeta agro brasileiro

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Por Lucas Cheiddi | 13 de Janeiro de 2026 Fonte: RevistaOeste

 

Depois de anos de impasse, países da União Europeia autorizaram, nesta sexta-feira, 9, o acordo de livre comércio com o Mercosul, que abrange Argentina, Brasil, Paraguai e Uruguai. Tal medida impacta o agro brasileiro.

A assinatura formal entre os blocos está prevista para o dia 17 de janeiro, segundo o Ministério das Relações Exteriores da Argentina. Contudo, a entrada em vigor depende de aprovação nos parlamentos dos países sul-americanos.

Embora o tratado cubra diversos setores, o agronegócio concentrou as principais polêmicas nas décadas de negociação. Agricultores europeus expressaram forte oposição, com alegações de que a concorrência de produtos sul-americanos mais baratos pode afetar negócios locais. O caso resultou em protestos em várias regiões do Velho Continente.

Impacto para o agro brasileiro

Para o Brasil, que figura entre os maiores exportadores mundiais de alimentos, o acordo deve trazer mudanças. A União Europeia já é o segundo maior mercado para o agronegócio brasileiro, atrás apenas da China. O continente fica à frente dos Estados Unidos. Assim, tratado ganha relevância adicional, porque as exportações brasileiras para os EUA caíram em 2025, depois do aumento de tarifas pelo presidente Donald Trump.

O documento prevê a eliminação de tarifas de importação para 77% dos produtos agrícolas que o bloco europeu compra do Mercosul. Itens como café, frutas, peixes, crustáceos e óleos vegetais terão as tarifas gradualmente reduzidas a zero, com prazos que variam de quatro a dez anos, conforme o produto.

Produtos considerados sensíveis pelos europeus, como carnes bovina e de frango, contarão com cotas de exportação. O setor de carnes é um dos pontos de maior tensão: pecuaristas da França e da Polônia, líderes europeus na produção de carne bovina e de frango, temem perder mercado para países sul-americanos, especialmente o Brasil, maior exportador global desses produtos.

Atualmente, a carne bovina brasileira entra na UE por meio da cota Hilton, com 10 mil toneladas anuais de cortes nobres e taxa de 20%. Caso o tratado avance, essa taxa será eliminada. Outros cortes pagam 12,8% mais € 221,10 por 100 kg, mas uma nova cota conjunta de exportação de 99 mil toneladas anuais, com tarifa de 7,5%, será criada para o Mercosul.

Café, soja e a dinâmica das tarifas

No segmento do café, o solúvel pode se beneficiar. Hoje, o café em grão já entra na Europa sem tarifa, mas o solúvel paga 9% e o torrado e moído, 7,5%. O acordo prevê zerar essas tarifas em quatro anos.

Já para a soja, principal produto agrícola exportado para a União Europeia, não haverá mudanças, pois o grão e o farelo já contam com tarifa zero.

Leia também: “A grande fuga dos dólares do Brasil”, reportagem de Carlo Cauti publicada na Edição 304 da Revista Oeste

Produtores brasileiros manifestaram preocupação com as salvaguardas europeias aprovadas em dezembro. Elas permitem suspender benefícios tarifários do acordo caso algum segmento do agro local seja prejudicado.

As salvaguardas não integram o texto do tratado, mas compõem regulamento interno da União Europeia. Caso as importações de um produto sensível aumentem 5% na média de três anos, poderá ocorrer a abertura de uma investigação para eventual suspensão dos benefícios. O tempo dessas apurações também caiu: de seis para três meses, ou de quatro para dois, em casos mais sensíveis.

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